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(M Madalena Crespo - Agosto 2002)
1-INTRODUÇÃO
2-CRITÉRIOS para um Marcador Tumoral ideal
3-CLASSIFICAÇÃO dos Marcadores Tumorais
4-VALIDADE de um marcador tumoral e critérios para a sua escolha
5-ESTRATÉGIAS para melhorar a utilidade clínica dos Marcadores Tumorais
6-APLICAÇÕES CLÍNICAS DOS MARCADORES TUMORAIS
7-ESCOLHA DE ASSOCIAÇÃO DE MARCADORES TUMORAIS
8-CONCLUSÃO
APÊNDICE: PROTOCOLO DE MARCADORES TUMORAIS - EGTM*
Continuação>
1-INTRODUÇÃO
O doseamento, caracterização e identificação dos vários compostos bioquímicos, relacionados com as doenças malignas no homem, tem constituído nos últimos anos uma das áreas de estudo mais activas, particularmente no que respeita à sua especificidade em relação ao tumor ou célula tumoral de origem. Contudo , e apesar dos vários estudos realizados neste sentido, não foi possível até ao momento identificar nenhum composto bioquímico, absolutamente específico a um tumor, e apenas poucos são específicos a um orgão. E se na realidade, os Marcadores Tumorais têm muitas vezes limitações como indicadores de diagnóstico, todavia o conhecimento adequado deste meio complementar, poderá ter um contributo clínico importante na determinação prognóstica, algumas vezes diagnóstica e sobretudo na vigilância do doente operado e na monitorização do doente em tratamento.
A determinação simultânea de mais de um marcador aumenta a certeza do diagnóstico tumoral e é necessária, visto que as mutações, metastização e as medidas terapêuticas podem originar uma mutação no marcador.
Apenas a observação cinética do Marcador Tumoral, isto é, das alterações da concentração de um marcador em intervalos de tempo, é que possui um valor informativo seguro, e não um único valor isolado do Marcador Tumoral. São necessários vários exames de controlo ou de verificação da evolução.
O reconhecimento precoce de um tumor (screening) em pessoas assintomáticas deve continuar a ser objectivo principal da investigação tumoral, dado que a maioria dos doentes, morre devido a metástases e não devido ao tumor primário.
2-CRITÉRIOS para um Marcador Tumoral ideal
Capacidade para:
- ser detectável nos estadios precoces da doença
- específico do tumor
- proporcional à massa tumoral e estar presente apenas nesta
- informação histológica do tumor
- reconhecimento precoce do processo de formação de metástases
- método de determinação reprodutível e estandardizado
- bioquímicamente caracterizado
Os Marcadores Tumorais presentes, actualmente disponíveis, apenas preenchem parte destes requisitos.
3-CLASSIFICAÇÃO dos Marcadores Tumorais
- antigénios oncofetais
- antigénios tecidulares
- hormonas
- enzimas
- proteínas específicas
- produtos de metabolização celular e degradação proteica
MARCADORES TUMORAIS PRODUZIDOS PELO TUMOR
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Antigénios Oncofetais e Oncoplacentários
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CEA
AFP |
Glicoproteínas embrionárias |
| Antigénios Tecidulares caracterizados por um ou mais anticorpo mono ou policlonal |
SCC
PSA
PSA Livre
PAP
CALCITONINA TIREOGLOBULINA |
Glicoproteínas |
| Antigénios Mucínicos |
CA15.3
CA125
CA19.9
TAG72
MCA |
Glicolípidos |
| Citoqueratinas |
TPA(cit.8,18 e 19)
TPS(cit.18 e 19)
CYFRA 21(cit.19)
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Polipéptídeos |
| Oncoproteínas |
P53
C - erB1
C - erB2
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Proteínas |
Hormonas Ectópicas |
ACTH
ADH
Calcitonina
PTH
|
Polipéptídeos |
| Enzimas |
PAP
NSE
GGT
|
|
HORMONAS
DHEA-S
DHEA
CORTISOL
ALDOSTERONA |
Esteróides |
PROLACTINA
STH
B-HCG |
Proteínas e Glicoproteínas |
INSULINA
ACTH
CALCITONINA
VIP
PTH |
Polipeptídeos |
GASTRINA
ADH |
Peptídeos |
CATECOLAMINAS e seus metabolitos(VMA, HVA e Metanefrinas)
SEROTONINA e seu metabolito (5-HIAA) |
Aminas Biogénicas |
MARCADORES TUMORAIS INDUZIDOS pelo Hospedeiro
Este grupo inclui as substâncias total ou parcialmente produzidas pelo organismo em resposta à presença do tumor.
IMUNOGLOBULINAS monoclonais
Beta2 - Microglobulina |
Proteínas específicas |
| Substâncias não Hormonais |
Ferritina
Citoquinas
Vit. B12 (ou o complexo Transcobalamina-B12)
Ácido Fólico
Hidroxiprolina
Tiroglobulina |
TUMORES COM PRODUÇÃO ECTÓPICA DE HORMONAS
| ACTH |
Carc. de pequenas células do pulmão
Tumores carcinóides
Carcinoma medular da tiróide
Feocromocitoma |
| HCG |
Carc. gastrointestinal
Adenocarcinoma do pulmão
Carc. do pâncreas
Carc. da mama |
| PTH |
Carc. das células renais
Carc. epidermóide do pulmão
Carc. do ovário
Carc. do pâncreas |
ADH |
Carc. de pequenas células do pulmão
Carc.do pâncreas
Carc. gastrointestinal |
| CALCITONINA |
Carc. de pequenas células do pulmão
Carc. da mama |
| SOMATOMEDINA C |
Carc. adrenaisTumores mesodermais |
4-VALIDADE de um marcador tumoral e critérios para a sua escolha
SENSIBILIDADE responde à pergunta:
"Se um indivíduo tem uma doença (tumor maligno ou factor de risco), que probabilidade existe que o resultado do Marcador Tumoral seja positivo?"
Por outras palavras: a probabilidade que dado Marcador Tumoral tem de classificar correctamente o indivíduo como Doente (probabilidade do número de Verdadeiros Positivos).
ESPECIFICIDADE responde à pergunta:
"Se um induvíduo não tem um tumor maligno (uma doença ou factor de risco), que probabilidade existe que o resultado do Marcador Tumoral seja negativo?"
Por outras palavras: a probabilidade que dado Marcador Tumoral tem de classificar correctamente o indivíduo como Não Doente (probabilidade do número de Verdadeiros Negativos).
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Resultado
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Doentes
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Não doentes
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Total
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MT Positivo
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a
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b
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n1
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MT Negativo
|
c
|
d
|
n2
|
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Total
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m1
|
m2
|
N
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Sensibilidade = a/m1
Especificidade = d/m2
Valor Preditivo Positivo (VPP) = a/n1
Valor Preditivo Negativo (VPN) = d/n1
Os valores preditivos dependem da sensibilidade, especificidade e prevalência da doença.
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Marcadores Tumorais de alta sensibilidade e especificidade
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Marcadores Tumorais. de sensibilidade e especificidade variáveis
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Marcadores Tumorais de sensibilidade variável e baixa especificidade
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Antigénios Oncoplacentários (B-HCG, SP1, SP3)
Calcitonina |
Antigénios oncofetais
Antigénios tecidulares
Antigénios mucínicos
Oncoprotéinas
Hormonas ectópicas |
Citoqueratinas
Enzimas
Marcadores Tumorais induzidos pelo hospedeiro |
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